Experiência de Hipnose Relatada na Primeira Pessoa

Na semana passada (17 Junho de 2010), a revista Sábado realizou um artigo sobre a experiência de hipnose e o que se sente durante a terapia. Não a encontrando online e possivelmente também não nas bancas, deixo aqui alguns trechos interessantes.

A jornalista submeteu-se a uma sessão de hipnose clínica e regista as suas ideias sobre esse momento. “É suposto sentir alguma coisa… Mas está tudo na mesma! Calma, concentra-te! Se não ouvisses os autocarros era mais fácil. Onde ponho as mãos? Se as puser ao longo do tronco talvez fique mais confortável. Concentra-te na voz. A cada inspiração e expiração você permite que o seu corpo relaxe mais e mais… Esta sensação ajuda a que se concentre na minha voz, ouço a terapeuta dizer. Sim, a voz e a música das ondas do mar estão a ajudar”

“Encostada a um sofá branco, com as pernas esticadas e rodeada de almofadas, espero que aconteça alguma coisa; que haja um género de clique, que adormeça e acorde noutro lado. Mas não acontece nada. Sem dar conta a minha atenção dispersou-se. Deixei de pensar na mulher loira que me dá instruções (embora ouça a sua voz), nos barulhos da rua e na posição das minhas pernas e braços. Continuo ali mas, ao mesmo tempo, estou em vários sítios (na praia, na rua…). Estará a resultar?”

Então vamos deixar que os seus olhos se fechem, suavemente… e vamos inspirar, aguentar um pouco e expirar. (…) Entretanto ouço uma mota a passar na rua. (…) Parece-me que desta maneira não vai resultar. Nem com este homem que está a tocar à porta (ouve-se o som da campainha). Mas é mesmo assim. Se tiver algum pensamento intrusivo deixe fluir. Porque tudo o que é contrariado vem com mais força. (…) Lembro-me da dica e insisto no relaxamento. A minha cabeça começa a dispersar-se. (…) Sem dar por isso, já estou a sonhar. Tenho comichão no nariz, mas não me apetece mexer. Ao fundo, ainda ouço a voz e as ondas do mar que vêm da aparelhagem. Continuo desperta e não entendo. (…) Começo a ouvir sugestões. (…) Comovo-me e começo a chorar. Não me lembro de limpar a cara nem do constrangimento de estar à frente de uma desconhecida. Vou despertá-la. Vai ouvir-me contar de 1 a 10… (…) Quando inicia a contagem, sinto-me a andar à roda. Depois, a sala começa a girar. (…) Oiço 8 e abro os olhos. Estava a andar à roda. E pensei: Será normal? Sim, é o estado de transe. Acontece muito nas primeiras sessões, depois passa. (…) Você estava decididamente num estádio médio.”